Produção Musical, Live Pa, DJ e VJ

br909

Manifesto contra o mercado digital

Um post recente do blog Create Digital Music, (Digital, Artists, Labels and the Crisis of Plumeting Expectations) me inspirou em escrever esse artigo e a rever os meus conceitos sobre o mercado digital, de uma certa forma eu já estava com isso intalado na garganta, mas era incapaz de me expressar da forma correta O […]

» Escrito por em 16.02.09.

Um post recente do blog Create Digital Music, (Digital, Artists, Labels and the Crisis of Plumeting Expectations) me inspirou em escrever esse artigo e a rever os meus conceitos sobre o mercado digital, de uma certa forma eu já estava com isso intalado na garganta, mas era incapaz de me expressar da forma correta

O manifesto na verdade não é contra o mercado digital, mas sim contra as pessoas que se acomodam e não usam a tecnologia para construir o bem comum.

Os anos dourados se foram?

Eu comecei a me interessar por produção musical em 2001, em 2002 dei os primeiros passos mais sérios nesta área. Quando eu resolvi fazer um curso de produção musical, não vendo na época muitas boas opções no Brasil, a minha saída foi rumar para Londres.

Tive sorte de além de fazer o curso, ficar imerso dentro do meu pequeno home studio montado na capital inglesa, praticando por horas a fio, também trabalhei com 2 experientes engenheiros musicais (Ant e Scott Mac) que me mostraram como as coisas funcionam em um grande estúdio.

Ao fim de 3 meses, eu tinha 17 músicas produzidas. Sendo que ao retornar ao Brasil, o meu parceiro em produção de festas e posteriormente de produção musical Rafael Araújo, estava iniciando um selo chamado Br 909, acabei me unindo a ele nesta empreitada. O primeiro release foi de uma faixa dele com o produtor Cyber Steve e o lado B uma faixa produzida por Dave The Drummer e Thermobee em Curitiba.

Das 17 músicas que eu produzi em Londres, só 4 delas acabaram sendo lançadas em vinil, em um espaço de 1 ano. Duas dessas felizmente acabaram se transformando em grandes hits nacionais, era o mix e o remix de Capoeira. O trabalho com o Br 909, era de grande contato físico com as pessoas do meio, esse foi o grande fator do nosso sucesso.

br909

Quando o Br 902 e o Br 903 ficaram prontos, eu e o Araújo fomos pessoalmente aos principais clubes de Curitiba (na época Muzik e Vibe), para entregar o vinil para os Djs de destaques que passavam por lá: Leozinho, Fabrício Peçanha, Murphy, Anderson Noise, Camilo Rocha, Alex S. foram alguns deles. Desde os primeiros promos entregues até o lançamento nas lojas foram mais de 6 meses, tempo que auxiliou para criar expectativa do lançamento para os outros Djs.

Para comercializar os discos, não pensamos em uma distribuição internacional ou algo parecido (lembrando que os Djs tocavam só com vinil).

Ao invés de apenas fazer um pacote e mandar os EPs para as lojas. Eu e o Araujo pegamos o carro e fomos para São Paulo de loja em loja, mostrando o disco (que por ser prensado no Brasil causava grande desconfiança) e deixando os mesmo em consignação, fizemos questão de investir um bom tempo, conhecendo cada um dos vendedores, pedindo que eles escutassem, contando toda a trajetória da música desde a sua concepção e destacando os Djs que já estavam tocando.

Tivemos assim um ótimo resultado, chegando a fazer duas re-prensagens, que no total chegou a quase 1000 discos vendidos (número expressivo para um disco brasileiro de Techno). Acredito que nós perdemos chance de alcançar vôos maiores, principalmente por causa do sample utilizado em Capoeira, que é do álbum “Brasileiro” do Sérgio Mendes, cheguei a entrar em negociação com o selo inglês Positiva, sem sucesso.

Com o sucesso regional do selo, nós em 2004 tentamos a sorte no mercado internacional, prensando e distribuindo diretamente na Inglaterra, o que nós não sabíamos é que o mercado de vinil estava em franca decadência, com isso fizemos 2 releases que ficaram encalhados nas lojas e logo após a nossa distribuidora faliu deixando mais de mil discos parados em seu galpão.

O mercado digital

beatport_wallpapaer

Após o nosso selo ter falido, fiquei dois longos anos produzindo intensamente, mas sem lançar nada, faltava conhecimento para começar um selo digital ou procurar um outro selo para mostrar o meu trabalho.

Tudo começou a mudar quando um dos meus alunos (agora professor da AIMEC) Mateus B., quis lançar um selo digital, nós indicamos a loja www.trackitdown.net, por conhecermos um dos mentores (Ed Real), que poderia facilitar o ingresso do selo no portal. Seis meses antes quando a loja tinha acabado de iniciar as suas atividades eu o Araujo, lançamos alguma faixas por esse site, chegamos a colocar 6 músicas ao mesmo tempo no Top 10 de Techno, mas nossa decepção foi grande depois de verificar a quantidade de downloads vendidos, não ultrapassava a marca de 30 no total (para 12 músicas postadas). O Mateus com o seu Brazuka Records pegou a loja, já mais amadurecida e uma das suas primeiras músicas lançadas, Modulator, atingiu e ficou no Top 10 por 3 semanas consecutivas, com isso ele vendeu pouco mais de 60 downloads. Esse número que pode até parecer pífio, mas não é, ficava claro que o o mercado de Mp3s legais estava começando a pegar fogo.

Foi nessa época que nós lançamos o novo selo digital Eletrodomésticos que atualmente tem todos os seus lançamentos exclusivos na loja virtual www.beatport.com.

Selos e artistas preguiçosos

preguica

Nesse ponto que eu queria chegar, no começo da minha carreira, eu produzia dezenas de músicas e lançava apenas a faixa de maior destaque, como eu investia dinheiro nela, me sentia obrigado a fazer o trabalho de marketing que era 100% fora da internet, com muito contato direto com Djs e donos de loja. O suporte local também era maior pois como as músicas do Br 909, sempre tinham a mistura de Techno com ritmos e/ou vocais brasileiros, quando eu tocava alguma das minhas produções, sempre vinha alguém na cabine comentar.

Os produtores do meio digital (não culpo ninguém em especial, por que eu mesmo me insiro nesta categoria), produzem suas músicas dentro dos seus computadores, essas composições vão direto para uma página do Myspace, e lá a maior parte do marketing se resume a escrever “Thanks for the add” quando alguém adiciona o artista. Muitas dessas músicas de uma forma ou outra acabam sendo ouvidas por algum selo, que lançam no Beatport.

Parece que está tudo bem, o artista foi reconhecido e agora tem o seu trabalho lançado na principal loja de Mp3 do mundo (voltada a música eletrônica), assim o selo também está satisfeito com mais um lançamento e artista no seu cast.

O problema de tudo isso é que o produtor não se preocupa em fazer uma música que seja superlativa e que atinjam o coração e a mente das pessoas, tão pouco os selos se preocupam em procurar e lançar os melhores artistas, muito menos fazem algum esforço de marketing, por mais simples que seja escrever um press-release. Com isso milhares de novas músicas são lançadas por dia. Não discordo que tem saído muita coisa boa e o ano de 2008 provou isso, mas um mar de produções sem qualidade técnica e de composição são lançadas sem cuidado algum. Muitas músicas boas acabam se perdendo, pois os selos e artistas não se dedicaram em divulgar.

Acredito que você como artista ou dono de selo fonográfico pode mudar essa realidade, fazendo pequenas ações como:

divulgacao-digital

  • Procure ser diferente (este artigo do Dudu Marote é muito inspirador);
  • Festas para divulgar artistas do selo;
  • Press-releases destacando o produtor e o conceito da produção;
  • Divulgação nas comunidades do Orkut (não fazendo Spams para os seus contatos);
  • Promo Tracks enviados por e-mail;
  • Crie uma rede de contatos, para troca de informações sobre marketing e o mercado digital;
  • Cds com faixas promocionais entregue para Djs;
  • Competição de remixes;
  • Criar um Live Pa para divulgar o seu projeto;
  • Fazer um vídeo clip da sua melhor música;
  • Samples disponibilizados para a criação de remixes e versões;
  • Divulgação local, através de blogs, sites de música eletrônica e fóruns especializados;
  • Sair e conhecer pessoas;
  • Apoiar parceiros locais como um fã.

União dos artistas e empresários para mudar o mercado da música.

Estou lançando em Curitiba no dia 13 de março, um encontro bimestral, entre produtores locais (também aberto para artistas de todo o Brasil), a idéia é fazer um debate com foco em produção musical e mercado, outra parte importante do evento será criar um ambiente propício a troca de informações entre os membros do encontro, queé direcionado para os produtores de estilos tão diferentes como Techno, House, Electro, Trance, Hip Hop e Rock.

Deste encontro espero gerar incursões locais como:

  • Blog para divulgar o trabalho dos artistas;
  • Festa com Djs tocando produções próprias ou de seus selos;
  • Selo fonográfico;
  • Merchandising.

Você gostaria de participar deste movimento de valorização da boa música, que visa ser uma alternativa para o descaso que os artistas vem criando e sofrendo no mercado digital?



Deixe seu comentário

  1. Ilan mais uma vez ótimo artigo, parabéns.
    Inclusive pela iniciative do blog com tantas informações interessantes.
    Eu me interesso muito em reunir e trocar idéias sobre produçao,mixagem,masterizaçaoe e novas tecnologias, mas nao existe nenhum forum brasileiro que eu conheço que o pessoal pro frequente e troca idéias e experiências.
    Gostaria de me interagir com vocês pessoalmente mas moro nos Estados Unidos.
    Criem um portal/fórum onde novos e produtores experientes possam trocar experiências,idéias,tracks,bootlegs e o mais importante se ajudar!!!
    Abraço and keep the good work.

    diijaysilva
  2. Olá Ilan,
    estive com raul sexta 20/02 e ele me avisou que apos carnaval terá uma reuniao na aimec sobre produção musical entre outras coisas, mantenha me informado.
    Parabens pelos artigos.
    Abs
    carioca.

    eliezer
  3. Carioca,

    O encontro está marcado para o dia 13 de março eu te envio mais detalhes essa semana!!

  4. Ilan,

    Gostaria de participar pela Metropolis Project Records. Me avise mais detalhes sobre o encontro.

  5. [...] E partir dessa inquetação surgem grandes posts como o Manifesto Contra o Mercado Digital. [...]

  6. Poxa eu gostaria de participar mas moro em belo horizonte,
    Ilan voce sabe de algo parecido por aqui em BH ou rendodeza
    sera que alguem sabe? e poderia me ajudar.

    DJ Semim
  7. Oi Semin,

    O I Unibeat foi em março, o próximo vai ser em junho (vai ser transmitido ao vivo pela http://www.groovechannel.com.br) !! Não sei de nada parecido por aí (passei a semana passada inteira em Bh).Não sabia que vc é daí, nós poderíamos ter marcado alguma coisa.

  8. da proxima vez que vc vier aqui em BH, Vc me dá um toque com antecedencia que ai poderiamos marcar alguma coisa tipo um workshop,palestras,etc… qualquer coisa como as que vc faz em curitiba e em outros lugares;pra mim seria um prazer ajudar com divulgação,arrumar espaço e outras coisas de que precisar.
    È isso ai estamos junto e misturado.

    dj semim
  9. Como é bom ouvir palavras de quem tem experiência e acima de tudo, acatá-las!!!

  10. Achei muito bom o texto. Sou vocalista de uma banda de rock aqui do rio, chamada, Mobile Drink ( http://www.melodybox.com.br/mobiledrink ) e gostaria de manter o contato pra que possamos, juntos dar rumos não utópicos ao mercado da música.