O Vj Jim que faz o projeto M.I.K.E A/V comigo e com o produtor Mateus B., enviou semana passada uma entrevista exclusiva que ele fez o Addictive Tv.

Mais informações sobre a entrevista nas palavras do Jim

Em nossa constante busca por aprimorar a linguagem e a estética do nosso live áudio-visual, o MIKE A.V., decidimos por regressar às origens do projeto tal qual ele foi inicialmente concebido, ou seja, uma experiência onde o público se sinta à vontade com as imagens e se divirta, onde as imagens comuniquem imediatamente seu significado e sejam sonora e visualmente instigantes. E é justamente por regressar a estas origens que eu acabei por “desenterrar” esta entrevista com os precursores do LIVE A.V., a dupla britânica Addictive Tv, pois eles são sem dúvida nenhuma a maior inspiração desta última década para uma onda de lives e produtores que arriscaram pela primeira vez incluir imagens manipuladas em tempo real em suas performances, criando uma dinâmica tão hipnótica entre a imagem a música que não se via desde o auge da MTV. E que não por menos lhes rendeu 3 anos seguidos como os melhores VJs segundo o polêmico ranking da DJ MAG internacional.

A oportunidade de entrevistá-los surgiu em 2006 quando eu comecei a escrever uma coluna sobre cibercultura no site Eletrogralha (LINK). Foi então que meu grande amigo e um dos idealizadores do site, Dj Raul Aguilera, me passou o contato da assessora de imprensa da dupla, que nos convidou a entrevistá-los em virtude da apresentação que eles fariam no Skol Beats, dias depois. Ao final de tudo o prazo apertou, e quando a entrevista ficou pronta já era tarde demais pra postar no Eletrogralha, então acabei ficando com ela guardada entre meus emails e só agora, aproveitando a oportunidade, compartilhamos ela com vocês, público fiel e amigo aqui do blog em primeira mão.

Entrevista Exclusiva – Addictive Tv

1) Geralmente o VJ surge ou da paixão pela música eletrônica ou da paixão pela imagem. Conte um pouco sobre como este processo ocorreu com vocês. Que atividades desenvolviam anteriormente?

Eu sempre amei imagens, particularmente de filmes e também sempre estive envolvido com música eletrônica. Tolly também sempre dividiu as mesmas paixões.

Meu background pessoal era filme e televisão, trabalhando como assistente de edição e como produtor em um monte de comerciais, alem disso fiz muita produção de arte para Tv, tamb;em fiz muitas edições de vídeos antes de me tornar Vj.

Tolly era músico e compositor e depois começou a escrever música para teatro, antes de começar a produzir e a discotecar. Nós começamos a trabalhar juntos no trabalho de gravação do Mixmasters, que foi o uma série de para TV e DVD aliando DJs e Vjs.

Nós sempre tivemos a mesma visão de como um projeto de A/V deveria ser, que é com muito mais integração, a partir disso nós começamos a desenvolver o nosso show que se transformou no Addictive Tv, projeto no qual a música e o vídeo são bem balanceados. O que nós vemos é o que nós ouvimos e vice-versa. Se você separar os dois aspectos eles não vão fazer sentido sozinhos, nós tentamos fazer música e visual sendo dois elementos indivisíveis. Isso é um verdadeiro projeto de A/V no nosso ponto de vista.

2) Das referências estéticas e culturais no trabalho do Addictive Tv. Quais são as maiores influências? Publicidade, cinema ou artes plásticas?

Nós somos simplesmente influenciados por todo que nós vemos e ouvimos.

Não gostamos de ficar restritos a certos formatos, com certos nomes e estilos. Nós simplesmente fazemos o que nós fazemos. Então se as pessoas vêem o nosso trabalho como parte do movimento de artes visuais nós achamos isso muito legal. Alguns dizem que nós vêem como sendo o mesmo que estar em um clube e num cinema maluco ao mesmo tempo.

Eu imagino que assistir nosso show, é um pouco como unir música eletrônica e um monte de filmes e  Tv tudo misturado em um liquidificador. Isso é Addictive Tv, uma mídia mistura áudio e vídeo em um set de um DJ.

Você assiste ou dança? Ou os dois?

3) Como surgiu essa oportunidade de remixar um filme em Hollywood? Já surgiram novas propostas?

A New Line Cinema assistiu o nosso bootleg do filme “The Italian Job” e do “James Bond” e eles pergutaram se nós queriamos fazer um para eles.

Essa foi uma ideia que ninguém tinha tentado fazer antes, um remix viral de um filme. Incrível que eles nós deram total liberdade criativa para cortar o filme “Take The Lead” do Antônio Bandeiras, eles nós deram 5 horas de rolos de filme e simplesmente falaram “façam um vídeo viral”.

Foi simples assim, mas não foi nada simples de fazer, isso envolveu muitas horas eu dias de trabalho em nosso estúdio. Em muitas direções esse tipo de experimentação nunca tinha sido feita por ninguém, e nós não sabíamos bem onde nós chegaríamos. Mas nós amamos fazer, o vídeo foi baixado mais de meio milhão de vezes, e sim existem novas ofertas. Estamos fechando para fazer um filme do Samuel l. Jackson “Snakes On a Plane.

Então nós fizemos algumas coisa certa!!!

4) Muitos VJs consideram Amsterdam a “Meca” do vjing. Soube de performances incríveis também na Suécia. O que vocês acham?

Amsterdam é legal e tem muito bons VJs, mas eu não considero como a “Meca”, acredito que este título vai para Tokyo, ser Vj é profissão lá. Essa arte é amplamente entendida e praticada em todos os clubes e muitos bares tem telas e projetores. A maioria dos softwares e hardwares para Vj vem de lá.

Nós já tocamos em muitos clubes de Tokyo, os Vjs são tratados da mesma forma que os DJs, tanto no espaço físico das cabines, flyers e revistas especializadas. Isso também acontece em Amsterdan mas em menor escala, com certeza você não tem isso em Londres. Infelizmente, não entendo o crescimento da cena de Vjs da Suécia, mas nós vamos tocar lá em 2 meses, depois eu te conto o resultado.

5) Alguns VJs e coletivos brasileiros tem se apresentado pelo mundo afora. Vocês tiveram a oportunidade de conhecê-los? Há algum trabalho que os impressionou?

Eu conheço o Vj Alexis do Visual Farms, ele é o Vj de São  Paulo que remixou o filme “Cidade de Deus” alguns anos atrás, esse foi um ótimo trabalho. Nós estamos indo para o Skol Beats e lá espero conhecer outros profissionais.

6) Vocês adaptam seu set de imagens pra cada apresentação? Como por exemplo, usar imagens que tenham referências brasileiras ao fazer uma performance no Brasil?

Sim, com certeza, para o Skol Beats nós estamos fazendo um remix do Cidade de Deus no melhor estilo Addictive Tv. Esse é um filme brilhante e nós sentimos que um remix precisa ser feito, como nós não falamos português esse trabalho fica bem mais difícil,  mas nós vamos encarar o desafio. Também estamos trabalhando em um mash-up especial para o Motomix que vai ser Franz Ferdinand vs New Order, pois nós tocamos depois do Franz Ferdinand e antes do Peter Hook do New Order.

No geral nós fizemos um monte de trabalhos novos esse ano, os nossos shows vão ter um pouco desses novos trabalhos.

7) À exemplo do Optronica, outros festivais tem surgido. A cena dos [live visuals] vem aos poucos se popularizando. Cada vez mais DJs e VJs estão se unido ao perceber o potencial que a fusão destas duas
linguagens tem. Qual o próximo passo?

No Reino Unido, nós sentimos que um festival como o Optronica estava com uma grande demanda mas ninguém fazia. O festival tem com foco em artistas de A/V celebrando tudo em uma grande tela de cinema. Para nós o próximo nível é simplesmente o “áudio-visual”, ainda existem muitos caminhos para serem explorados.

Para começar existem muitos clubes e espaços de perfomance que ainda não contam com projeções, o desing desses locais também podem evoluir neste sentido. Cinemas precisam abrir espaço para apresentações de “Live Cinema, mas antes que isso acontece nós precisamos de mais artistas criando trabalho para esses locais.

No meu ponto de vista o áudio e o vídeo precisam se fundir e se transformar em uma única linguagem. Não estou falando de um DJ que trabalha em conjunto com um Vj, estou falando em projetos que genuinamente trabalhe em trazer áudio e vídeo integrados, isso pode acontecer com uma banda inteira ou apenas um artista que crie áudio e vídeo juntos. Neste cenário o elemento visual entra integramente no conceito do trabalho, em outras palavras eu não estou falando de uma banda que trabalha com um VJ, estou falando do VJ como um dos integrantes da banda em todos os sentidos. Isso vai demorar um bom tempo para acontecer.

http://www.myspace.com/addictivetv