Pioneer lança CDJ 350 e decreta o fim da era dos DJs

Pioneer lança CDJ 350 e decreta o fim da era dos DJs

Os últimos dois lançamentos da Pioneer foram muito decepcionantes (CDJ 2000 e DJM 2000), credito isso, pela falta de grandes inovações e também pelos altos preços sugeridos para venda.

O CDJ 350 e o DJM 350 (novo mixer – que ainda nem tem foto oficial e release), vão ser lançados na feira Musikmesse em Frankfurt, entre os dias 24 e 27 de março.

As funções descritas no press-release do CDJ 350 são:

Preço sugerido não informado.

  • Função de demonstração de batida – Ilustra visualmente a posição de cada batida, assim teoricamente vai ficar mais facil de coordenar visualmente scratchs e loops;
  • Função de loop automática – Com apenas um botão vai ser possível criar loops, dividi-los em pedaços menores e memoriza-los;
  • Função para criação de playlist – Enquanto uma música está tocando, você pode adicionar ela em um playlist de músicas favoritas;
  • Compativel com softwares de DJs – O CDJ-350 pode ser usado como controladora MIDI e placa de som;
  • Travamento automático de BPM – O DJ pode escolher um BPM master, que sincroniza automaticamente com outro CDJ com a mesma função habilitada.

pioneer-cdj350.

O fim da era dos DJs

Essa última função é o motivo do fim da era dos DJs (pelo menos dos DJs a moda antiga).

Ao invés de demonstrar o BPM em uma escala de 1 BPM por vez (exemplo 127, 128, 129), ele demosntra o BPM absoluto. Isso significa que se você visualmente colocar uma música no CDJ 1 tocando no BPM 127,3 e o mesmo BPM no CDJ 2, assim elas vão estar perfeitamente sincronizados sem nem precisar colocar os headphones.

Com isso a barreira inicial que existia, de exigir um treino maior dos DJs para desenvolver o ouvido acabou. Qualquer pessoa vai poder mixar apenas com os olhos.

Talvez eu esteja errado e esses novos equipamentos ajudem a música eletrônica a crescer ainda mais. O que você acha?

Mas o que isso significa?

Se atualmente nos temos uma invasão de DJs apresentadores de Tv, metaleiros, modelos e outras personalidades, agora prepare-se pois vamos ver uma enxurrada de novos “DJs”, pois não vai mais existir barreira alguma, e qualquer um vai aprender a tocar em minutos.

Você pode afirmar que bom gosto, psicologia de pista e rede de contatos ainda vão ser o seu diferencial, mas quem vai conseguir competir com os famosos?

Jesus Luz não é mais a salvação da música eletrônica?

O artigo que eu fiz, relatando como o Jesus Luz estava ajudando a mostrar para as pessoas quem são os verdadeiros DJs, foi recorde de acessos, comentários e re-twittes aqui no site, mas se você pensar bem, mesmo com mais de 2.100 visitantes únicos, esse ainda é um público muito pequeno se comparado com o público total (e em sua grande maioria desinformado) que frequenta as baladas.

Os inúmeros blog que surgiram nos últimos meses, estão formentando informação de qualidade, mas infelizmente para um público pequeno, que pode até ter uma certa influência, mas estão longe de conseguirem fazer a diferença e educar a massa, que frequenta as festas e “consome” música eletrônica.

Novas tecnologias podem salvar a cena?

Eu toco com o Ableton Live faz dois anos, com esse software é possível previamente sincronizar todas as músicas e sons (fazendo o warp), os novos CDJs da Pioneer – 350, 900 e 2000, fazem basicamente isso, mas o Ableton abre outra possibilidades:

  • Live reedits (reeditar as músicas ao vivo);
  • Live Mash-ups (criação de mash-ups ao vivo);
  • Inserção de outras camadas e efeitos;
  • Tocar com a música aberta, misturando elementos de diversas músicas.

Isso no papel é lindo, mas infelizmente quantas pessoas que estão dançando em um clube ou festa percebem isso?

  • Não quero soar pessimista, mas como os verdadeiros artistas vão poder reverter o quadro atual da nossa cena e impulsionar novamente um crescimento sadio?
  • Será a produção musical a única saída?